As leituras de hoje apresentam-nos um louvável conjunto de práticas necessárias para o fortalecimento das famílias: entre outras, o amor, o perdão, cuidar dos pais na velhice, etc. Apresenta-nos ainda um casal - José e Maria - que cumpriam as prescrições da lei e que rezavam, que iam ao templo.

A Igreja continua, e bem, a reconhecer a família como uma "célula da sociedade" absolutamente fundamental, reconhece o esforço maravilhoso que tantos casais fazem ao longo da sua vida, na abnegação de si mesmos, para educarem os filhos, para ultrapassarem (ou melhor, aprenderem a viver com) as suas diferenças, para darem espaço à reconciliação, ao perdão, ao amor.

Mas também reconhece que nem sempre as coisas correm como os casais gostariam, que há casais cuja vida em comum tem mais de inferno do que de céu. Nesses casos, a Igreja deve ser instrumento de Misericórdia ou de tortura? É que uma coisa é ajudar a pessoa a reconhecer o seu pecado, a crescer, outra é que, tendo o pecado sido reconhecido, a Igreja, nos seus membros, continue a torcer a faca junto ao imenso nó na barriga de quem tem de passar pelo sofrimento de um divórcio. 

Em vez de apresentarmos uma imagem "perfeita" de família (com um bocadinho de American Dream pelo meio), porque não olharmos com realismo para as nossas famílias, com as suas coisas boas e as suas feridas? As transformações sociais provocaram mudanças nas nossas famílias. Ela, enquanto instituição, pode estar ferida, pode estar diferente, mas não morreu!

Olhemos com realismo para ela e foquemo-nos, não em falsas imagens, mas na característica bíblica e fundamental da família de Jesus, Maria e José, que é a abertura à Vida (desde a Anunciação à Ressurreição, passando pela fuga para o Egipto). Ajudemos os casais a abrirem-se à vida (mesmo os que não podem ter filhos biológicos) através de uma entrega uns aos outros, nas comunidades cristãs, em grupos de defesa da vida, em movimentos de desenvolvimento social, caritativos, ecologistas, de apoio aos refugiados, etc. Lembremo-nos que José e Maria deixaram a sua aldeia, a sua carpintaria, o seu espaço de conforto, para protegerem o Menino porque só isso lhes interessava, a vida do Menino, a vida! Esses são também os caminhos do Senhor! O sentimento de gratidão e de louvor despontarão ora com o final de mais um ano, ora com o "nascer" de outro!

Fica a sugestão de leitura: Amoris Laetitia


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